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07/05/2019

Exposição "Estamos aqui!" destaca a importância das artistas mulheres no acervo do MAC-PR

 

Mostra inaugura no dia 15 de maio e reúne trabalhos do acervo do museu e de quatro artistas convidadas

Uma coleção composta majoritariamente por artistas homens: 398 contra 229 mulheres. E a diferença torna-se ainda mais gritante quando se fala das 1.800 obras do acervo do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR); neste caso a discrepância entre homens e mulheres chega a 786 trabalhos. Olhar para o acervo levando em conta essa realidade na busca por reequilibrar esses números é a intenção da mostra "Estamos aqui! Relevos no Horizonte do Acervo do MAC", que inaugura no dia 15 de maio, às 19 horas, na sala 9 do espaço (temporariamente, por causa da reforma da sede, o MAC está funcionando nas dependências do Museu Oscar Niemeyer).

Exposição Estamos Aqui!

Vídeo da artista Juliana Gisi integra a seleção de obras do MAC-PR.

A exposição, com curadoria da diretora do MAC-PR, Ana Rocha, reúne o trabalho de 15 artistas mulheres (11 que integram o acervo e quatro convidadas): Ana Gonzalez, Cristina Agostinho, Deborah Santiago, Eliane Prolik, Elizabeth Titton, Erica Storer Araújo, Isabella Lanave, Fabiana de Barros, Guita Soifer, Janete Fernandes, Juliana Gisi, Mainês Olivetti, Marga Puntel, Marta Neves e Maya Weishof. A inauguração contará com uma performance de Erica Storer Araújo, que expõe a obra "Tudo ou Nada", de 2017, e é uma das convidadas pela curadoria.

De acordo com Ana Rocha, mostrar o acervo do museu junto com outras artistas contemporâneas faz parte de um conceito de remixagem, prática que tem origem na música, mas que é levada também para áreas como arquitetura (quando prédios são remodelados para outros fins), moda (com a customização de roupas) e na própria arte.

Todos os trabalhos expostos em "Estamos aqui!", segundo a curadora, referem-se ao corpo de diversas maneiras e o coloca como centro para falar de temas como identidade e consumo. É o que faz Juliana Gisi em seu vídeo "Dueto em três vozes para Mariposa", finalizado em 2019 — ela é a personagem principal da obra, que mostra o seu rosto de duas formas distintas. "Não seria um autorretrato, mas uma discussão que tem muito mais a ver com usar o seu próprio corpo como matéria, utilizar a imagem para uma proposição" explica a artista.

Doutora em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Juliana acredita que é de extrema importância ações que coloquem as mulheres artistas como protagonistas."Existe uma defasagem grande no número de obras dos acervos e em exposições no mundo todo. É uma realidade, é algo forte. A partir da década de 1960, essa tema entrou cada vez mais em discussão e hoje temos ações efetivas para colocar essa disparidade em vista. São ações afirmativas para mostrar que existem mulheres produzindo que são tão boas quanto os homens, e por uma questão estrutural não aparecem tanto. A exposição é uma forma de recontar essas histórias".

O reequilíbrio proposto pela mostra, frisa Ana, não quer negar a disparidade entre gêneros, mas sim superar o silêncio sobre contribuições importantes trazidas ao pensamento da arte pelas mulheres.

Faxinal das Artes

Mainês Olivetti.
Instalação de Mainês Olivetti foi uma das obras realizadas na residência artística Faxinal das Artes.

Outro aspecto valorizado pela curadoria na mostra são as obras produzidas durante o Faxinal das Artes, residência artística do começo dos anos 2000 proposta pela Secretaria de Estado da Cultura e que reuniu artistas de todo o país em Faxinal do Céu (sudoeste do Estado), para elaborar projetos e criar obras. Uma das participantes foi a catarinense Mainês Olivetti. Ela desenvolveu a obra "Titãs", uma instalação com globos de vidro e fios de náilon. "Eu já trabalhava com redes de náilon e de pescaria, tinha uma recordação de quando criança: meu pai fazia redes e isso ficou na minha memória", conta. Além de ser exposta na mostra "Faxinal das Artes", realizada pelo próprio MAC-PR no final de 2002, a obra havia sido montada pela última vez em 2003, no Sesc São Paulo. "Estou bem feliz com a escolha. É uma obra que nunca mais foi mostrada e vai interagir bem com outros trabalhos", aponta a artista.

Além do trabalho de Mainês, "Estamos aqui!" reúne outras obras de Faxinal, como "Conversão Diástole", vídeo de Marga Puntel, dois quadros de Débora Santiago e instalações em faixa de Marta Neves.  A exposição fica em cartaz até 4 de agosto.

Serviço:

Abertura da exposição “Estamos aqui! Relevos no Horizonte do Acervo do MAC”

Dia 15 de maio, às 19 horas (entrada franca na abertura).

 

Museu de Arte Contemporânea do Paraná

Rua Marechal Hermes, 999 – salas 8 e 9. Temporariamente, por causa da reforma em sua sede, o MAC-PR está funcionando nas dependências do Museu Oscar Niemeyer.

 

MAC-PR 50 Anos

Criado em 11 de março de 1970 por decreto oficial, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná completa 50 anos em março de 2020. Desde o início do seu funcionamento, foi responsável por ser um espaço de tendências e discussões sobre arte contemporânea. Atualmente, seu acervo é composto por 1.800 obras de artistas paranaenses e brasileiros, além de estrangeiros. É referência em pesquisa e documentação no Estado para pesquisadores da área e realiza ações de arte e educação para a comunidade. Sua sede, (no centro de Curitiba, onde estava desde 1974) está fechada para reforma e restauro. Por enquanto, o MAC-PR funciona nas salas 8 e 9 do Museu Oscar Niemeyer (MON).

Fonte: Secretaria de Estado da Comunicação e Cultura.

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