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04/06/2019

Como funcionam os setores de acervo e pesquisa de um museu

Divisões são essenciais para registro da memória dos artistas; conheça os do MAC-PR


Quando se vai a uma exposição de arte contemporânea, o espectador mal desconfia que, por trás de todas as obras expostas, há uma burocracia anterior à beleza da arte que envolve sobretudo planilhas, números e registros, o que requer atenção minuciosa da equipe responsável pelo acervo do museu — o do Museu de Arte Contemporânea do Paraná, que completará 50 anos em 2020, conta com cerca de 1,8 mil obras que precisaram, e precisam, passar por registros, atualizações e vistorias constantes.

Acervo e Pesquisa

Vera e Cláudia, funcionárias do MAC-PR: equipe é responsável por todos os registros do acervo de 1.800 obra se documentação.


"É muito trabalho. As pessoas conhecem mais a parte da obra de arte, até a guarda. Mas tem todo um lado de sentar, pesquisar todos os termos, fichas e laudos", diz a responsável pelo acervo do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR), Cláudia Rejane Chavarinski Almeida Santos.

Formado por pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, objetos, tapeçarias, instalações, vídeos e outras manifestações artísticas, o acervo é proveniente de prêmios de Salões, doações recomendadas pelo Conselho Consultivo e aquisições. Além da guarda em condições adequadas de temperatura e umidade na reserva técnica (no momento, o museu está funcionando nas dependências do Museu Oscar Niemeyer por conta da reforma na sede, e conta com reserva bidimensional, tridimensional, mapoteca e sala de molduras), há um longo processo de registro e outras informações levantadas pela equipe do acervo.

"Precisa saber o contexto da obra, a vida dela, como a obra chegou, o estado, quem é o artista. Ano da obra, doação, número do tombo, registro no livro tombo. O percurso documental do acervo é muito detalhado", explica Cláudia, que é historiadora e mestre em Sociologia pela UFPR — no momento ela cursa doutorado na mesma universidade. Além disso, o acervo do MAC-PR está disponível on-line para pesquisadores na Rede de Informações Museus Paraná (Pergamum Museus); e é o acervo quem insere as informações de todos os trabalhos no sistema.

Na reserva técnica, as normas seguidas são as do MON, que adota padrões de museus por todo o mundo com 47% de umidade relativa do ar e 22.4ºC de temperatura — tudo medido por um aparelho chamado termo-higrômetro. "Se a umidade estiver alta a obra pode ter fungos. Muito baixa, ressecamento. As tridimensionais podem oxidar e ter várias interferências", esclarece Cláudia.

Quando é formatada uma exposição, a equipe do acervo também é parte fundamental do processo: o curador passa a lista prévia de obras que pretende expor e é verificado pelo acervo se todas estão em condição de serem expostas e se existe alguma obra danificada. "O acervo se envolve diretamente até o dia da abertura da exposição", fala Cláudia. Além disso, nesta documentação prévia levantada há artistas que deixam especificações sobre como a obra deve ser montada/exposta, manipulada e acondicionada. "Nesses casos, seguimos rigorosamente o pedido do artista. Quando não tem essas indicações seguimos as normas de segurança e o olhar do curador".

Pesquisa

Acervo e Pesquisa
O registro de todas as obras é realizado pelo setor de acervo.


Outro setor que complementa a área de acervo do MAC-PR é o de pesquisa e documentação, responsável por registrar a memória das artes visuais, além de contar com textos críticos, catálogos, manuscritos, imagens, entre outros materiais.  De acordo com Juciley Eunice Moreira de Oliveira, responsável pelo setor, a hemeroteca do MAC-PR conta com 22.381 artistas, 4.424 entidades promotoras, 4.077 textos assinados, 247 assuntos e 4.443 livros. O museu conta ainda com uma parte multimídia com mais de 1 mil títulos e toda a documentação do Salão Paranaense desde o seu início, em 1944.

 A Pesquisa é aberta ao público para pesquisas e consultas locais e recebe pessoas de todo o país. "Tudo é disponível ao pesquisador, que pode escanear e fotografar os materiais, mas não sai para empréstimo", explica Juciley.  Outro trabalho realizado é atualizar constantemente o cadastro dos artistas e realizar a triagem de doações de materiais. "É um trabalho muito gostoso de se realizar", diz Juciley.

O setor também auxilia no levantamento de informações para montagem de cronologia em exposições, textos para catálogos e registros de toda a memória do acervo — quando o artista é vivo, são gravadas entrevistas em áudio ou vídeo para que o museu conte com essa memória documentada.  

"Procuramos todos os documentos, fontes e comprovações sobre a trajetória do artista", ressalta uma das integrantes da Pesquisa e Documentação, Vera Regina Biscaia Vianna Batista.

Também historiadora, ela já atuou anteriormente no setor de acervo do MAC-PR e tem uma experiência extensa em museus: trabalhou, por exemplo,  no extinto Museu de Arte do Paraná (hoje Museu Paranaense).  "Os setores de um museu trabalham sempre interligados. Não tem como cada um ser independente. No fim, tudo funciona em função do acervo, tanto a pesquisa como o educativo. A gente tem que trabalhar sempre em conjunto", salienta Vera.

Serviço:

O Setor de Pesquisa é aberto para atendimento a pesquisadores e comunidade de terça a sexta-feira das 10h às 18 horas, mediante agendamento pelo telefone: (41)  3233-6872 pesquisamac@seec.pr.gov.br.

 

MAC-PR 50 Anos

Criado em 11 de março de 1970 por decreto oficial, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná completa 50 anos em março de 2020. Desde o início do seu funcionamento, foi responsável por ser um espaço de tendências e discussões sobre arte contemporânea. Atualmente, seu acervo é composto por 1.800 obras de artistas paranaenses e brasileiros, além de estrangeiros. É referência em pesquisa e documentação no Estado para pesquisadores da área e realiza ações de arte e educação para a comunidade. Sua sede, (no centro de Curitiba, onde estava desde 1974) está fechada para reforma e restauro. Por enquanto, o MAC-PR funciona nas salas 8 e 9 do Museu Oscar Niemeyer (MON).

Fonte: Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura (SECC).

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