Pinturas Cometidas
DE 07 DE AGOSTO A 02 DE NOVEMBRO DE 2025
Sala 09 do MAC no MON
Pinturas Cometidas
“Pinturas Cometidas” nos revela uma poética em reinvenção, na qual cada obra se configura como um campo de experimentação e abertura sensível ao mundo. Para Ronald Simon, a pintura não se constitui como um fim em si, mas meio de pensar o espaço, o tempo e a experiência. Sua produção nos convida a exercitar um olhar ativo, uma suspensão do imediato como forma de resistência simbólica frente às urgências do presente.
O artista transita entre o cálculo compositivo e uma memória visual difusa, fragmentária e plural. Sua trajetória é atravessada pelas raízes no Nordeste e pelo estabelecimento de sua produção, a partir dos anos 1980, em Curitiba, cenário cultural que lhe oferece estrutura e impulso criativo. Nas obras, as vibrações cromáticas e jogos formais evocam tanto fachadas arquitetônicas, anúncios urbanos, festas populares quanto paisagens em transformação.
Sua produção é um mergulho na experiência investigativa da cor. Ancorada nas tradições construtivas e no pensamento moderno que marcaram importantes desdobramentos da arte ocidental no século XX, sua obra estabelece interlocuções com artistas como Maurício Nogueira Lima (Brasil, 1930–1999) e Jeremy Moon (Inglaterra, 1934–1973); uma tensão produtiva se instaura entre o rigor formal e sua desconstrução. Contrapondo o controle geométrico frente à fluidez do gesto pictórico, Simon afirma uma poética do instável que elabora um campo dinâmico de confrontos e ressignificações.
A cor assume papel central que articula e agrega. Mais do que aplicação de superfície, é corpo e pensamento visual, matéria que opera relações e engendra sentidos. Ao configurar espaços e territórios sobre o plano, a cor transborda, conquista a tridimensionalidade nos objetos, ao mesmo tempo em que se desdobra na leveza das aquarelas — orgânicas e labirínticas. E entre o rigor e a deriva, suas paisagens ressonantes deslocam fronteiras e expandem os regimes da visibilidade.
André Rigatti e Eliane Prolik
Curadores
Ronald Simon
Ronald Yves Simon nasceu em Recife, em 1947. Vive e trabalha em Curitiba desde 1978.
Sua formação em artes plásticas se iniciou na Escola de Belas Artes de Pernambuco, concluindo sua graduação em São Paulo (1972). Realizou pós-graduação em Metodologia em Arte Educação pela Faculdade de Artes do Paraná, onde foi professor de Pintura (1991-2017). E ainda lecionou Composição e Pintura, no Museu Casa Alfredo Andersen (1985-2007). Foram seus alunos os artistas: Cleverson Salvaro, Fabio Noronha, Gabriele Gomes e Luiz Lavalle, entre outros.
Exerceu a direção do Museu Casa Alfredo Andersen (2011-2015) e do Centro Juvenil de Artes Plásticas do Paraná (1995-2002) e trabalhou no setor de documentação e pesquisa do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (2015-2018), onde realizou curadoria das mostras do acervo A Cor no Espaço; O Espaço na Cor; e Anos 60/70, entre outras.
Principais Exposições Individuais: Pinturas Estruturas, na Galeria Casa da Imagem (2019); Arquitetura da Cor, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná (2009); Museu Cerqueira Cesar, em São Carlos (2002); Pinturas Recentes, no Museu Casa Alfredo Andersen e Museu de Arte de Joinville (2000); Museu de Arte Contemporânea do Paraná (1993); Galeria de Arte Banestado, em Curitiba e Londrina (1989 e 1990); Pinturas/Estruturas, na Sala Miguel Bakun (1988); Pinturas Recentes, na Galeria de Arte Banestado (1986); Galeria Caixa de Criação (1984); Fundação Cultural de Curitiba (1982) e Galeria de Arte CCBEU (1980).
Principais Exposições Coletivas: Mostra Internacional de Miniprint, Museu da Gravura Cidade de Curitiba (2025); Sou Patrono – Aquisições, no Museu Oscar Niemeyer (2022); Pintura e Docência, no Museu Casa Alfredo Andersen (2022); PR/BR, no Museu Oscar Niemeyer (2013); O Estado da Arte, no MON (2010); Diálogos de um Acervo – Museu na Escola, no MON (2009); Arte Paranaense/Contrapontos, no Museu Municipal de Arte (2001); Suite Vollard Picasso - Uma interpretação Paranaense, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu de Arte de Santa Catarina e Museu de Arte de Goiânia; Artistas Contemporâneos do Paraná, no Museu Guido Viaro (2001); Paraná/Multiculturalismo, no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (1994); Salão Paranaense (1985,1982,1980,1979 e 1978); 1º e 2º Jovem Arte Sul, em Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre (1983); PRÊMIO no 6° Salão de Arte do Iguaçu (1992); Caxa de Bixo, na Fundação Cultural de Curitiba e 3° Salão Nacional de Artes Plásticas (1980).


