Sala Aberta | Coletiva
DE 31 DE JUNHO DE 2024 A 31 DE JANEIRO DE 2025
Sala 09 do MAC no MON
coletiva
A Sala Aberta se configura como um espaço dinâmico e experimental, dedicado a diálogos e situações artísticas. Ao longo de três meses, este ambiente acolheu três artistas (um coletivo e dois artistas), cada um trazendo propostas que enriqueceram a programação e estimularam as relações e reflexões com o público, todos acompanhados por estudantes, também artistas.
O primeiro mês, ocupado pelo Coletivo Brutas, começou com um formato expositivo no dia de sua inauguração e ao longo das quatro semanas de ocupação as obras foram saindo da sala, dando lugar a outros objetos criados a partir de um pensamento de pesquisa construído na própria sala. Assim elas realizaram, como o próprio título da ocupação evocava, uma Transação com o MAC Paraná e seus agentes. Nessa exposição, alguns trabalhos desenvolvidos anteriormente à Sala Aberta ganham espaço. Trabalhos esses que fizeram parte da exposição “Assuntos Brutos” (2017) e vem agora somar as confabulações que se criam na sala. O Coletivo marcou nas paredes a frase “Eu estou aqui por sua causa”.
O segundo mês, ocupado pelo artista Rimon Guimarães, fez do espaço um lugar de convivência: desde cafés com o próprio artista até rodas de música. Ocupou um espaço para reproduzir seu próprio ateliê, fazendo o público conhecer mais de perto seus processos. Adaptabilidade foi como ele nomeou sua ocupação. Um artista que tem a maior parte de sua produção no ambiente urbano trouxe para dentro da sala suas cores vibrantes e figuras presentes nos trabalhos que se adaptam à dinâmica do museu, mesmo provocando as estruturas com encontros que são comuns ao ambiente urbano. Ele em seu texto indagava: eu estou aqui por sua causa ou porque agora é a minha vez?
No terceiro mês, Nicholas Steinmetz usou a sala como uma tela em branco, produzindo aceleradamente várias obras em diferentes suportes, além das práticas de desenho vivo a partir de lutas de boxe. Terminou sua ocupação com uma exposição de duração de uma noite e um dia. Nicholas tratou a sala como trata suas pinturas, em camadas. Estas ganharam forma na produção de uma série de telas e pinturas tridimensionais que tinham como suporte pés de galinha, que foi também a forma que ele decidiu nomear a exposição. Para além disso, pintou um mural que se sobrepôs aos tons de rosa que Rimon Guimarães havia deixado ali.
Criar uma exposição a partir desses três meses não estava nos planos iniciais da Sala Aberta, mas suas características mutáveis mudaram também a programação do museu, entendendo que era preciso apresentar esse encontro. Encontro não só das três ocupações, mas também dos artistas que assessoraram os convidados na condição de estudantes.
A dimensão performativa que Izadora Figueiredo vivenciou durante a ocupação acompanhando o Coletivo Brutas, sendo ela a Mediatrix que acionava os trabalhos junto ao público, dá espaço para a dimensão performativa de dois vídeos onde ela apresenta sua prática/pesquisa em Grudolagem. Prática essa que decupa os gestos da colagem e suas materialidades.
Luiz Moreira acompanhou o mês de ocupação de Rimon Guimarães. Em sua produção, que é fortemente atravessada pelo ambiente urbano, ele traz para a exposição uma montagem que alarga a escala de uma fotografia da fachada da sede histórica do MAC Paraná e acopla a ela um desenho de rampas que remetem à arquitetura que atualmente acolhe o mesmo museu. Luiz teve em sua ocupação uma experiência imersiva no dia a dia de trabalho do museu. O desenho acoplado a fotografia foi produzido em um período anterior a sua vivência na Sala Aberta, porém a partir da circulação nesta arquitetura o desenho encontra seu lugar
Akhan, que acompanhou a ocupação de Nicholas Steinmetz, convida-nos a olhar para suas memórias familiares, práticas de desenho e experimentação em pintura. Estas evocam uma dimensão que atravessa as tensões raciais, sociais e políticas de sua experiência no mundo. Mas para além disso, ele nos faz vibrar com a minúcia do encontro de suas cores e figuras que ora se dissipam em meio ao cenário e outras vezes são agentes protagonistas da cena.
A Sala Aberta em si não é um projeto expositivo, mas é capaz de receber uma exposição como uma de suas possíveis situações artísticas. Esta é uma exposição dentro da Sala Aberta e não a própria Sala.
Assim como nos meses de ocupação dos artistas, essa mostra também convida o público a participar ativamente dela, pensando sempre na imersão e interatividade, transformando esse espaço tradicionalmente expositivo em um ambiente de descoberta e envolvimento, a partir da utilização de uma variedade de mídias.
Este projeto reafirma o compromisso do museu com a inovação e a inclusão de diferentes agentes, celebrando situações artísticas como um meio potente de diálogo e ação.
Carolina Loch e Joanes Barauna
Curadoras
"Transação” é a operação do Coletivo Brutas, formado pelas artistas Érica Storer, Estelle Flores, Gio Soifer, Jéssica Luz e PAC Calory, para a Sala Aberta do MAC-PR. A proposta parte de um corpo de trabalho desenvolvido pelo coletivo em 2018, os Transáveis, projeto apoiado pelo Mecenato Subsidiado de Curitiba e apresentado pela primeira vez na sala de exposições do Teatro Guaíra.
Rimon Guimarães nasceu em Curitiba, PR, em 1988. É um dos principais nomes da arte urbana brasileira, é reconhecido internacionalmente pelas cores e figuras com que ocupa as cidades, abordando temas como urbanização, acessibilidade e mídias contemporâneas, além de sua produção em desenho, gravura, fotografia, vídeo, instalações e áudio.
Nicolas Steinmetz nasceu em São Paulo, SP, em 1996. Por meio de seus desenhos e pinturas, construídos com um traço fortemente gestual, evoca um imaginário próprio que nos convida a refletir sobre a virilidade a partir de sua experiência como um homem transgênero.
Izadora Figueiredo nasceu em Jaguarão, RS, em 2000. Bacharela em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP), Izadora é estudante de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGARTES) da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR). Suas pesquisas e produções se dão no campo da performance e da colagem, muitas vezes interseccionando as duas linguagens. Figueiredo é colagista, performer e palhaça.
Luiz Moreira nasceu em Curitiba, PR, e, 1996. Formado no curso de Pintura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), Moreira é estudante do mestrado PPGAV da mesma instituição. Em sua pesquisa explora os limites entre o espaço digital, urbano e expositivo, fazendo uso principalmente de processos da pintura, escultura e vídeo arte para moldar volumes urbanos.
Akhan nasceu em Foz do Iguaçu, PR, em 1996. É estudante de graduação em artes visuais na FAP e pesquisa, por meio do desenho e da pintura, questões a respeito de racialidade e das histórias de seus familiares.


