Somos Este Tipo de Gente

 

DE 27 DE FEVEREIRO A 18 DE MAIO DE 2025

Sede Adalice Araújo

 

Somos Este Tipo de Gente

 

Esta exposição trata de um olhar particular sobre a pungente produção artística de Curitiba, algo nada fácil diante da significativa e diversa produção local. Fazer uma curadoria é algo para além do gosto pessoal, acredito ser primordial reconhecer valores, sensibilizações e contextos na produção pesquisada. Parti de um recorte enfatizando as particularidades de cada artista, não me atendo a agrupamentos por técnicas, mas reforçando a pluralidade dos trabalhos, seus contextos expressivos, suas políticas e visões de mundo. Em se tratando de diferentes obras em um mesmo espaço, reforço a necessidade urgente de reconhecer as escolhas de cada artista, suas expressões e a unicidade de cada um deles. Aqui, diferentes obras convivem no mesmo espaço, acredito, portanto, que isto deve se propagar nos múltiplos campos da cultura e das políticas, acredito que podemos conviver, experimentar, relacionar, somar e agregar, porque “Somos este tipo de gente”, ecoando, portanto, a ideia de que a arte é um reflexo da nossa sociedade e das nossas identidades e interesses, pensando as diferenças como valores a serem experimentados, é cada vez mais urgente entender isto. Ao celebrar este grupo de artistas e suas pesquisas, proponho pensar nas trocas simbólicas e nas relações tão particulares de cada objeto aqui exposto. Esta exposição convida a refletir sobre quem somos e como nos expressamos e nos relacionamos com o mundo, tendo como base nossas singularidades.

 

Emerson Persona

Curador


 

 

 

 


 

Adão

Adão (Curitiba, 1998) vive e trabalha na cidade onde nasceu. Sua pesquisa em pintura investiga as relações entre imagem, memória e narrativa, construindo atmosferas marcadas pela tensão entre o que se revela e o que permanece oculto. Em suas obras, paisagens desoladas, ruínas e figuras deslocadas de seus contextos articulam-se como fragmentos que sugerem histórias abertas, construídas por meio da montagem.

Sua prática pictórica retoma o uso do borrão e da mancha, explorando tonalidades de aparência envelhecida que estabelecem um diálogo com a história da pintura. Nesse processo, desenvolve uma investigação que pode ser compreendida como uma arqueologia de si, em que a pintura se apresenta como um campo aberto, permeável e em constante transformação.

É graduado em Artes Visuais pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP) e realizou formação em pintura no Ateliê Oruniyá, no Rio de Janeiro. Frequenta os ateliês de gravura do Solar do Barão, em Curitiba. Participou de exposições individuais e coletivas, além de feiras como SP-Arte e ArtRio. Suas obras integram o acervo do Museu de Arte do Rio (MAR) e coleções particulares no Brasil, na Polônia e na Itália.

 

Francis Rodrigues

Francis Rodrigues desenvolve uma pesquisa em pintura centrada na representação e na reconfiguração da paisagem. Sua produção articula memória, deslocamento e experiência sensorial, estabelecendo relações entre diferentes territórios por meio da fotografia, da colagem e da pintura.

Em suas obras, paisagens, lembranças e fragmentos visuais são justapostos para construir narrativas abertas, nas quais o visível e o invisível coexistem. O artista compreende a paisagem como um espaço de trânsito e transformação, onde diferentes tempos, lugares e experiências se entrelaçam por meio de associações entre imagens, cores, texturas e escalas.

Seu processo criativo parte da montagem de fragmentos e da investigação das propriedades físicas e visuais dos materiais, explorando aspectos como caimento, superfície e comportamento da cor. A partir dessas operações, desenvolve pinturas que propõem novas leituras do espaço e da memória, revelando a paisagem como um campo relacional, construído por sobreposições, deslocamentos e experiências compartilhadas.

 

Glauco Menta 

Glauco Menta dedica-se, há mais de cinco décadas, ao estudo, ao ensino e à produção artística em Curitiba. Ao longo de sua trajetória, o desenho e a escultura consolidaram-se como eixos centrais de sua pesquisa, estabelecendo um diálogo contínuo a partir de suas afinidades estruturais e formais. Em sua prática, essas linguagens se entrelaçam como campos complementares de experimentação, investigação e descoberta.

 

Hugo Mendes 

Hugo Mendes desenvolve sua pesquisa artística por meio da escultura, da pintura, do desenho e da gravura, utilizando essas linguagens como instrumentos para investigar questões diversas no campo poético. Sua produção privilegia as relações entre significados, ambiguidades e processos de construção de sentido, deslocando o foco da superfície para as camadas conceituais da obra.

Seu trabalho propõe reflexões sobre o imaginário artístico, as relações entre produção e trabalho, a subjetividade, o distanciamento autoral e a multiplicidade de interpretações. A pesquisa é conduzida como um processo de decantação, no qual a não linearidade do pensamento e a incerteza interpretativa tornam-se elementos constitutivos da experiência estética.

 

Lígia Borba

Lígia Borba propõe grupos escultóricos que têm em comum o procedimento de reprodução de objetos em técnicas cerâmicas variadas por meio de moldes onde cada cópia é feita de maneira a apresentar algum grau de diferença, demonstrando assim um desenvolvimento em narrativa literária temporal.

Bacharelado em Pintura (1974) e Licenciatura em Desenho (1975) pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Pós-graduação em Ensino da Arte (1983), FAP e UFPR. Pós-graduação em História da Arte (1993), EMAP. Estudou escultura com Décio Mauro Lima (Belo Horizonte), Francisco Stockinger (Porto Alegre), Estela Sandrini (Curitiba) e Juan Carlos Labourdet (Curitiba e Buenos Aires). Cerâmica com Marek Ceculla (Curitiba) e Mabel Santos (Buenos Aires).

Orientadora no Atelier de Cerâmica do Centro de Criatividade de Curitiba (1975 a 1979). Professora de Materiais Expressivos no curso de Desenho Industrial – PUC-PR (1980 a 1985). Professora titular de Escultura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (1980 a 2008). Professora de Anatomia Aplicada à Escultura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (1990 a 2008).

 

Lívia Fontana

Lívia Fontana (Curitiba, 1979) é artista visual, onde vive e trabalha. Suas pinturas de paisagens transportam o espectador para outro universo, um lugar entre o limiar do real e a ficção. Esse processo possibilita travar um debate a partir da interpretação da linguagem imagética. Fontana enxerga na pintura a liberdade de não estabelecer comprometimento em retratar a realidade e sim situações inventadas. Lívia é uma curiosa pela vida, encontrando na maturidade e maternidade alimentos para a prática da criação artística. Sua paixão por cinema, livros, história e ainda a natureza nutrem as escolhas estéticas em sua produção.

 

Toni Graton

Toni Graton é artista visual, formado em Gravura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba. Em seu trabalho utiliza como linguagens expressivas principalmente a cerâmica e a calcogravura. Como escultor, a materialidade é importante em seu trabalho, o corpo como matéria e ideia é o ponto central de sua pesquisa, nela ele o explora através de abordagens alegóricas que misturam aspectos de autoficção com elementos mitológicos.

 

Vangelis Silva

Vaguelis Silva é artista visual, ceramista e pesquisadora, natural de Paranaguá. Aos 30 anos, cursa Artes Visuais na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde desenvolve uma poética transdisciplinar ancorada na cerâmica como meio primordial de expressão. Seu percurso artístico se delineia a partir de uma travessia de rupturas e ressignificações. Inicialmente, ingressou no curso de Direito mas, diante de conflitos familiares, viu-se impelida a interromper essa trajetória e retornar à sua cidade natal. Foi na Casa de Cultura de Paranaguá que a cerâmica se apresentou não apenas como um ofício, mas como um território de pertencimento e reinvenção. A experiência em uma oficina foi o ponto de inflexão que a conduziu ao universo das artes visuais, impulsionando sua decisão de prestar vestibular para a UFPR. Aprovada, iniciou sua formação em 2020, consolidando um percurso voltado ao desenvolvimento poético e à investigação crítica. Sua pesquisa e produção artística orbitam as experiências e subjetividades das feminilidades das mulheres transexuais e travestis, utilizando a arte e a pesquisa como meios para ampliar diálogos, provocar reflexões e questionar as estruturas que atravessam esses corpos e identidades.

 

 

Texto

Secretaria de Estado da Cultura

 

Carlos Massa Ratinho Junior

Governador do Estado do Paraná

 

Darci Piana

Vice-governador do Estado do Paraná

 

Luciana Casagrande Pereira

Secretária de Estado da Cultura

 

Elietti de Souza Vilela

Diretora-geral da Secretaria de Estado da Cultura

 

Cauê Donato

Coordenador do Sistema Estadual de Museus

 

Fernanda Maldonado

Coordenadora de Comunicação

Museu de Arte Contemporânea do Paraná

 

Juliane Fuganti

Diretora

 

Joanes Barauna

Coordenação de Acervo

 

Crislene Bueno de Carvalho Galdino

Coordenadora do Centro de Pesquisa e Documentação

 

Kamila Kuromiya

Coordenadora do Setor Educativo

 

Vitor Droppa Wadowski Fonseca

Guilherme Felipe Ritter

Residentes Técnicos

 

Mateus Francisco Kramer Sens

Yasmin Munhoz Tobias de Moraes

Arthur Ruiz Babora

Gabriel Rodrigo Santos

Júlia Feacher Garcia

Heloisa Gurkievicz dos Santos

Estagiários

 

Alessandro Manoel

Revisão

 

Amanda Renaly

Comunicação

 

Barbara Haro

Design Gráfico